quinta-feira, fevereiro 21, 2008

.o futuro decidi ao não decidir...ao congelar

Foi a Sara quem me apresentou o Jorge e quem, desde logo, me chamou a atenção para as letras da música dele.


Devo confessar que de início estava com aquele sorriso simpático e a pensar: "como é que a Sara gosta disto???"

Comecei a prestar mais atenção... e agora canto e digo o que ele tem para dizer enquanto o faço.

Carreguem AQUI para ver um vídeo do Jorge Cruz. Ou AQUI para irem ao myspace dele.

Amanhã ele vai actuar às 23h, no Contagiarte!

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

.cacofonia cerebral

Tenho dificuldades em orientar-me, creio que é por causa do campo magnético do meu corpo. Eu sempre achei que tinha um electrão a mais no calcanhar, relativamente à hipófise e, por isso, sempre que pego numa bússola, o meu Norte Magnético entra em conflito com o Norte Magnético da Terra, gerando um conflito de posicionamento na agulha. Esta fica a rodopiar sem parar nos dois sentidos: orientação nula. Se eu ao menos acreditasse naquela coisa do alinhamento dos chakras, possivelmente a esta hora já os tinha alinhado e, se calhar, o maldito electrão do calcanhar já teria saltado fora. Não consigo ser espiritual, pensar que posso levitar, viver das ervinhas... deve ser por isso que não tenho Norte e que a minha frequência (tipo a da rádio) espiritual não permite alcançar o diálogo magnético do campo de orientação, restando, por isso, a minha deambulação terrena, tal qual um animal simples, básico, instintivo...

Pensei em pedir aconselhamento a quem, de facto, tem a frequência (tipo a da rádio) espiritual, que entra em diálogo magnético com o campo de orientação, mas pareceu-me que os chakras dessa pessoa entravam em choque com o meu desalinhamento "chakral" e, por isso, essa pessoa que estava num patamar acima do meu,não conseguia permanecer perto de mim. Tinha que ser mais espiritual, pensar que posso levitar, comer ervinhas, deixar de ser um animal simples, básico e instintivo e tornar-me num bibelot espiritual (digo bibelot porque esta conversa faz-me sempre lembrar os budas bibelot que aparecem recorrentemente na decoração de muitos lares).

Se calhar vou começar a comprar incenso...

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

.eureka, ufa, que alívio

nunca compreendi muito bem a minha natureza e muita dessa incompreensão traduziu-se, muitas vezes, em desapontamento comigo mesma, numa resma de lamentações e de raiva, num ciclo quase masoquista de intolerância contra mim. o meu (pequeno) percurso tem sido intenso e isso não é mais do que produto da dor a que me exponho, procuro e encontro sempre. é esta a tónica na minha vida.

hoje consegui ver esta geometria mental através de um novo vértice, ao ler uma daquelas frases batidas e enfadonhas, mas que, pelos vistos, existem por alguma razão (nunca gostei dessas razões, parecem-me sempre muito vulgares e desinteressantes também): "sem a dor não se transpõem fronteiras"

"Por caminhos só rectos, não sei ir.
Nos ínvios por que vou, não sei ficar.
Suspenso do passado e do porvir,
Venho e vou!, venho e vou!, não sei parar." - José Régio

sábado, fevereiro 16, 2008

it's business time...!

Ora bem, ontem recebi uma sms do Zeph Ethilico que reportava uma missão que eu tinha que cumprir... Pois é... Cumpri a missão: abri o youtube e procurei pelos Flight of the Conchords!

Carreguem AQUI e vejam este vídeo e, depois, continuem a ver mais e mais e maiiiis!!

domingo, fevereiro 10, 2008

escrutinio obliquo.

dissolvo o açúcar no café. sei que estou numa prova contra mim mesma. não perco a concentração da minha colher de plástico que raspa no copo de plástico que por sua vez permite a condução da temperatura para as minhas mãos que ardem de nervos, de calor, de atrapalhação. foco o olhar para os pormenores da parede branca em frente e reparo que colónias de musgo distribuídas ao acaso preenchem-na. talvez isso indique que aquela parede esteja virada para Norte e explique os recorrentes arrepios de frio que sinto enquanto me concentro no copinho de plástico, na colherzinha de plástico e na sua fragilidade enquanto formas descartáveis e perenidade enquanto material. aglutino-me nesta ideia, fecho as válvulas, os olhos, mergulho e venho à superfície segundos depois. senti aquilo, mas desliguei logo.

quarta-feira, fevereiro 06, 2008

depois da automação.

as pregas da saia sem vincos, o cabelo em ninhos de andorinha, os pés com aqueles sapatinhos azuis ortopédicos que entortam mais os pés e as mãos cheias de tinta das canetas de filtro a conduzir por entre o trânsito, perto das nuvens, a desenhar constelações, (o carro de trás não pára de buzinar) a apanhar com o pó dos cometas, a sentir o vento solar, a rebolar nas dunas, a mergulhar numa seara, a comer um gelado de chocolate (porra, o carro de trás está-se a passar!!), a descer de bicicleta aquelas escadas perto da escola, a nadar 2 horas, a vestir a camisola nova, a cantar alto com as amigas no meio de uma serra (será que o carro de trás podia parar de buzinar????), a sonhar, a sonhar, a sonhar... (tantos carros a passar à frente... parecem zangados!)

domingo, fevereiro 03, 2008

lamúrias sem álcool

os olhos inchados e curvos, a boca retraída e tensa, olhar vago em algo simples e lamúrias no canto da boca. o corpo inchado com frio, o pulso negro, a má circulação dos membros, a falta de sorte na inércia, a incapacidade que deus lhe deu, a gripe, o quarto desarrumado, a lamúria da lamúria, circunscrita, delineada, ridícula e obesa. pobre lamúria, pobre lamúria! tendões desajustados, coração sincopado, cama pesada, nefrídeos disfuncionais, esfíncteres obsoletos, azia crónica depois do café, fome depois de comer e no canto da boca, sempre ali no canto da boca, lamúrias que caiem dentro da gola da camisola de polyester que comprou em saldo há 4 anos numa boutique em liquidação de stock.

"Isto assim não pode ser...
Mas como achar um remédio?
-pra acabar este intermedio
Lembrei-me de enlouquecer" Mário de Sá-Carneiro