"Casa roubada, trancas à porta"
Era o que ecoava na cabeça da Sra D. Estefânia, que vivia há mais de 45 anos naquela casa e coisa como esta nunca tinha acontecido.
Tinha perdido o seu marido há 6 meses e tentava pensar no que ele lhe diria numa situação destas, para distrair a sua vulnerabilidade, mas estava encandeada e a sua cabeça rodopiava velozmente à procura de um sentimento tranquilo, de um lugar familiar, de força... mas as pernas ficaram moles, o peito apertou, os olhos fecharam-se e a Sra D. Estefânia caiu ao chão e mergulhou num sonho quente e profundo.
A vizinha de baixo ouviu um estrondo vindo de cima e foi a correr afogueada pelas escadas acima, para ver o que tinha acontecido. Bateu com toda a força à porta da Sra D. Estefânia, a porta não se abria, o coração a 1000, a adrenalina a 200 fê-la bater com tanta força que abriu a porta e deparou-se com a Sra estendida no chão, com um sorriso incandescente. Tentou acordá-la, mas não conseguiu, chamou a ambulância e disseram: "Ela está a dormir....." E a vizinha disse: "Já não a via com este sorriso, desde que o seu marido morreu. Ela bem dizia, quando ficou viúva, que o marido tinha-lhe roubado o coração e que precisava de o trancar!"
segunda-feira, dezembro 29, 2008
sábado, dezembro 27, 2008
.Thanks a Latte
Every day I would wake up around 6.30am. I would be wearing a t-shirt though the thermometers outside would register 14F or even less.
Warmed by the heating of a super powerfull nation's energy, I would wear my warm clothes just before I'd leave home for another day in the lab.
If the wind was still I would go by foot to the lab, running away from the thin layers of ice that dangerously spoted the sidewalks. I would be listening to Sérgio Godinho in my ipod and thinking in the bunch of robotic lab work that I would have to accomplish that day(run markers in the families A619 and CI7, if the PCR's aren't working, I'll have to check the water, that's probably my problem in these last days........).
Mechanically walking I would arrive to the lab that had a tropical environment due to a problem in the lab heating and right after I announced my arrival I would go to Espresso Royale, in the SW corner of Goodwin with Lincoln to have a Tchai Latte.
Right after paying I would be waiting for that corny phrase of the barist: Hey, have a nice day and... Thanks a latte...!
Warmed by the heating of a super powerfull nation's energy, I would wear my warm clothes just before I'd leave home for another day in the lab.
If the wind was still I would go by foot to the lab, running away from the thin layers of ice that dangerously spoted the sidewalks. I would be listening to Sérgio Godinho in my ipod and thinking in the bunch of robotic lab work that I would have to accomplish that day(run markers in the families A619 and CI7, if the PCR's aren't working, I'll have to check the water, that's probably my problem in these last days........).
Mechanically walking I would arrive to the lab that had a tropical environment due to a problem in the lab heating and right after I announced my arrival I would go to Espresso Royale, in the SW corner of Goodwin with Lincoln to have a Tchai Latte.
Right after paying I would be waiting for that corny phrase of the barist: Hey, have a nice day and... Thanks a latte...!
domingo, dezembro 21, 2008
.linha dos sentidos?
PUM!
rugiu no miendro do canal auditivo e, ao chegar ao espaço, propagou-se sob duas formas anti-paralelas: expansão/contracção.
seguindo o caminho da memória, ambas fazem sentido coexistirem, mas é essa dualidade que impede a formulação da solução certa.
vai-se riscando e apagando no caderno todas as tentativas de resolução, quando se chegar à solução, haverão outras memórias, memórias essas que serão densas e menos caducas.
Fecho os olhos enquanto olho para a velocidade da paisagem e quando os sentidos se encontram, o meu coração viaja à velocidade da luz por todos os pontos do Universo que já visitei. Revisitar as estações de onde já parti, sem andar para a frente no tempo, indica o reflexo do que sou, hoje, aqui, e o que, em potencial serei amanhã, ali.
Já ouvi dizer... É simples!
rugiu no miendro do canal auditivo e, ao chegar ao espaço, propagou-se sob duas formas anti-paralelas: expansão/contracção.
seguindo o caminho da memória, ambas fazem sentido coexistirem, mas é essa dualidade que impede a formulação da solução certa.
vai-se riscando e apagando no caderno todas as tentativas de resolução, quando se chegar à solução, haverão outras memórias, memórias essas que serão densas e menos caducas.
Fecho os olhos enquanto olho para a velocidade da paisagem e quando os sentidos se encontram, o meu coração viaja à velocidade da luz por todos os pontos do Universo que já visitei. Revisitar as estações de onde já parti, sem andar para a frente no tempo, indica o reflexo do que sou, hoje, aqui, e o que, em potencial serei amanhã, ali.
Já ouvi dizer... É simples!
quarta-feira, dezembro 17, 2008
.e quando tudo parecia arder
dores suadas e dormentes bloqueavam o cérebro, desfasadas do espaço que rodeava o corpo doente, frustrado e inerte, que recebendo estímulos tecnológicos virais com teclas, botões e comandos que não comandavam, comandava as sinapses nervosas a tremer e a conduzir o vírus lacrimal ao seu porto. de repente tudo estava em chamas e mais uma vez teria que colher cinzas e, mais uma vez, não tinha espaço, tempo para fazer renascer a fénix tecnológica, autoritária emergir.
a solução era congelar a adrenalina, ligar o modo segurança e esperar, congeminando metodicamente todas as probabilidades de solução.....a processar.....a processar.....
e quando pensava eu que era um sistema isolado e por isso sem impacto no meu meio envolvente, é-me trazida, numa caixa, a solução e, apenas alguns minutos depois, veio até mim mais um remédio miraculoso.
quando tudo parecia arder, vieram os extintores, afogaram as chamas e cinzas, nem vê-las.
apaguei os vírus e sorri com muita força.
obrigada...:)
a solução era congelar a adrenalina, ligar o modo segurança e esperar, congeminando metodicamente todas as probabilidades de solução.....a processar.....a processar.....
e quando pensava eu que era um sistema isolado e por isso sem impacto no meu meio envolvente, é-me trazida, numa caixa, a solução e, apenas alguns minutos depois, veio até mim mais um remédio miraculoso.
quando tudo parecia arder, vieram os extintores, afogaram as chamas e cinzas, nem vê-las.
apaguei os vírus e sorri com muita força.
obrigada...:)
sexta-feira, dezembro 12, 2008
.a lista banal
o dia espera de mim mais uma epopeia de produtividade e emoções e, com o corpo cansado, os olhos semi-cerrados, a cabeça em hibernação, algo irá agir por mim e corresponder às expectativas de mais um dia, enquanto que eu finjo que descanso. prefiro acreditar que estou a repousar, de mansinho, na ondulação do dia, contrariando a sua ditadura mecânica e cerebral, mas sei que rompendo o limite da minha plasticidade, a minha imaginação volatiliza-se e direcciona-se para o engenho e o trabalho quadrado, geométrico e infinito.
e com isto crio uma lista de saudades banais: estar parada, ouvir, apenas, música, falar das coisas importantes, vêr um muito bom filme, dormir, sentar-me no sofá, contemplar, achar que o tempo dá para tudo, desligar a geometria d cérebro, pensar em cores...
pego na borracha e apago a lista. sei que amanhã ainda a saberei.
e com isto crio uma lista de saudades banais: estar parada, ouvir, apenas, música, falar das coisas importantes, vêr um muito bom filme, dormir, sentar-me no sofá, contemplar, achar que o tempo dá para tudo, desligar a geometria d cérebro, pensar em cores...
pego na borracha e apago a lista. sei que amanhã ainda a saberei.
quarta-feira, dezembro 10, 2008
.frio
é mais um dia. frio nos ossos, na pele, no sangue. sempre, sempre frio na côr, na janela, na roupa. e sempre com frio seguem dias e dias e dias com noites longas.
é mais um dia. frio na almofada, no banho quente, na comida. sempre, sempre frio na boca, nos minutos, no pensamento. e sempre com frio seguem os dias de noites longas.
é mais um dia. frio no sonho, na mesinha de cabeceira, na lareira acesa. sempre, sempre frio na ponta dos dedos, nas palavras, no presente. e sempre com frio seguem as noites longas destes dias.
é mais um dia. frio. sempre, sempre frio. e sempre com frio, segue.
é mais um dia. frio na almofada, no banho quente, na comida. sempre, sempre frio na boca, nos minutos, no pensamento. e sempre com frio seguem os dias de noites longas.
é mais um dia. frio no sonho, na mesinha de cabeceira, na lareira acesa. sempre, sempre frio na ponta dos dedos, nas palavras, no presente. e sempre com frio seguem as noites longas destes dias.
é mais um dia. frio. sempre, sempre frio. e sempre com frio, segue.
sexta-feira, dezembro 05, 2008
.a crise afecta tudo...!
- Hoje acordei e já não podia dos ossos. Já marquei consulta na caixa, porque se a humidade continua a moer-me os ossos desta maneira, chega o Natal e nem descascar batatas para o bacalhau vou conseguir.
- Ui, tu nem me fales dos ossos, tenho os bicos de papagaio a dar-me conta do juízo. Hoje, nem o almoço consegui botar ao lume, tive que pedir à minha sandrinha que fizesse um arrozinho branco com franguinho assado, que saiu insosso, vê lá...
- Lá em casa não posso ter folga... Se alguma vez eu não puder fazer o almoço, vai toda a gente almoçar fora, de certeza!
- Pois é filha, mas com a crise... Temos que ter mão curta nas despesas...!
- Lá nisso tens razão, mas felizmente lá em casa a crise bateu pouco à porta e ainda nos vamos governando mais ou menos, mas já não compro um bom salmonete, vê lá que está para mais de 15€ o Kg, há uns tempos, isto é uma pouca vergonha!
- Tu nem me fales... É mais crise de estômago do que de finanças!
- Ui, tu nem me fales dos ossos, tenho os bicos de papagaio a dar-me conta do juízo. Hoje, nem o almoço consegui botar ao lume, tive que pedir à minha sandrinha que fizesse um arrozinho branco com franguinho assado, que saiu insosso, vê lá...
- Lá em casa não posso ter folga... Se alguma vez eu não puder fazer o almoço, vai toda a gente almoçar fora, de certeza!
- Pois é filha, mas com a crise... Temos que ter mão curta nas despesas...!
- Lá nisso tens razão, mas felizmente lá em casa a crise bateu pouco à porta e ainda nos vamos governando mais ou menos, mas já não compro um bom salmonete, vê lá que está para mais de 15€ o Kg, há uns tempos, isto é uma pouca vergonha!
- Tu nem me fales... É mais crise de estômago do que de finanças!
quinta-feira, dezembro 04, 2008
.SELECT_DELETE_AAH!!
SELECT loucura, irritacao, vício
FROM Trabalho_Emocao
WHERE loucura = (SELECT MAX(loucura) FROM Trabalho_Emocao)
AND irritacao = (SELECT MAX(irritacao) FROM Trabalho_Emocao)
AND vício = (SELECT MAX(vício) FROM Trabalho_Emocao);
RUN (ai, ai, ai.....)
PLIM (aparece janela): MAX (loucura) not measurable, the program may collapse!
PLIIM (aparece janela outra vez): MAX(vício) it's bad for you, you should consider psychological counseling.
DELETE frases_irritantes, clichés
FROM natureza_condescendente ;
RUN command..............................................................................................................................................
Ah.... o silêncio....!!!
FROM Trabalho_Emocao
WHERE loucura = (SELECT MAX(loucura) FROM Trabalho_Emocao)
AND irritacao = (SELECT MAX(irritacao) FROM Trabalho_Emocao)
AND vício = (SELECT MAX(vício) FROM Trabalho_Emocao);
RUN (ai, ai, ai.....)
PLIM (aparece janela): MAX (loucura) not measurable, the program may collapse!
PLIIM (aparece janela outra vez): MAX(vício) it's bad for you, you should consider psychological counseling.
DELETE frases_irritantes, clichés
FROM natureza_condescendente ;
RUN command..............................................................................................................................................
Ah.... o silêncio....!!!
terça-feira, dezembro 02, 2008
.natureza imutável
todos os dias esperava pela chegada do meu pai a casa. com ele vinha a fantasia, o teatro, a brincadeira e o abrir da mente. criei o hábito de o ouvir ler mitologia grega de forma tão expressiva, que eu, pequenina, imaginava o olimpo, os deuses e os humanos daquela época com um grau de realismo tão intenso que me fez pensar, quando fui à Acrópole em Atenas, que eu já lá tinha estado...
não sabia, na altura, porque é que aquelas histórias que me fascinavam tanto, também fascinavam o meu pai, mas agora que me lembro delas vejo que afinal aquela fantasia, aquele teatro e aqueles enredos não são assim tão olímpicos, mas sim bem terrenos, facto que me faz pensar que o meu pai sabia que, deste modo, me estava a ensinar a perceber o mundo, pois a natureza do ser humano, essa, é imutável.
"Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te. A resposta
Está além dos deuses.
Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam." in Segue o Teu Destino, Ricardo Reis
não sabia, na altura, porque é que aquelas histórias que me fascinavam tanto, também fascinavam o meu pai, mas agora que me lembro delas vejo que afinal aquela fantasia, aquele teatro e aqueles enredos não são assim tão olímpicos, mas sim bem terrenos, facto que me faz pensar que o meu pai sabia que, deste modo, me estava a ensinar a perceber o mundo, pois a natureza do ser humano, essa, é imutável.
"Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te. A resposta
Está além dos deuses.
Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam." in Segue o Teu Destino, Ricardo Reis
segunda-feira, dezembro 01, 2008
.diálogo ecológico
enfim, os olhos ressacados de trabalho, a cabeça a bombar emoções e produtividade e o corpo a retrair-se do tempo ao mesmo tempo que a mente o expande.
de agora em diante, só as onomatopeias fazem sentido na verbalização, porque as palavras, essas, não servem para comunicar.
- gostas de ver o bruno nogueira a imitar a luciana abreu?
- hmm... mmm,mmm!!
e assim espelho as minhas intenções, de modo ruidoso e energeticamente eficiente e atrevo-me a dizer, assim com toda a displicência, que é uma comunicação bem amiga do ambiente, ouvi dizer que os tipos da Greenpeace não falam de outra maneira, não vá a formiga branca autóctone do Burnay desaparecer......
de agora em diante, só as onomatopeias fazem sentido na verbalização, porque as palavras, essas, não servem para comunicar.
- gostas de ver o bruno nogueira a imitar a luciana abreu?
- hmm... mmm,mmm!!
e assim espelho as minhas intenções, de modo ruidoso e energeticamente eficiente e atrevo-me a dizer, assim com toda a displicência, que é uma comunicação bem amiga do ambiente, ouvi dizer que os tipos da Greenpeace não falam de outra maneira, não vá a formiga branca autóctone do Burnay desaparecer......
sábado, novembro 29, 2008
.cozinha
o caril ardia enquanto os carros corriam ordeiros para a pressa das compras de natal. o néon de prata cobria os azulejos brancos e frios, enquanto o cantarolar constante de quem não tem pressa, soava fluido e quente. os estômagos roavam com a mesma tónica e o tempo, lento e tranquilo, construía cumplicidades ao som do crepitar do gás e do aroma que enchia o apetite de fome.
essa janta, não fica pronta?
essa janta, não fica pronta?
quarta-feira, novembro 26, 2008
.vírus
não sei se também vos acontece, mas sabem aqueles dias em que se acorda com toda a melancolia e tristeza do mundo e, sem saber porquê... apenas se sente aquele bichinho triste e pesado, que nos carrega os olhos de água e sal de 5 em 5 segundos, nos faz fungar sistematicamente e se abate nos ombros moles e fracos, fazendo-nos curvar as costas e a cabeça e sem saber porquê...
são aqueles dias em que o futuro parece que pode ser melhor de um presente que até nem é mau, mas que acorda-me assim de vez em quando, sem saber porquê...
talvez sempre haja o vírus da melancolia e, apesar de todos os retrovirais sofisticados da mente, este, por vezes, tenha força para se manifestar.
daqui a pouco ou, no máximo amanhã, sei que os sintomas desaparecerão, mas agora não.
são aqueles dias em que o futuro parece que pode ser melhor de um presente que até nem é mau, mas que acorda-me assim de vez em quando, sem saber porquê...
talvez sempre haja o vírus da melancolia e, apesar de todos os retrovirais sofisticados da mente, este, por vezes, tenha força para se manifestar.
daqui a pouco ou, no máximo amanhã, sei que os sintomas desaparecerão, mas agora não.
terça-feira, novembro 25, 2008
.geografia
enquanto nos paralelos assimétricos e pardos passa uma sombra, o musgo colore o cinzento granítico. entre os paralelos, os carreiros de formiguinhas a percorrer os seus habituais caminhos, criam texturas, volumes e dinâmicas e a geometria do meu pé, sobre esta tela urbana, cola-se à paisagem, distraindo o meu olhar durante todo o caminho.
não consegui levantar o olhar até ter pisado uma estrutura metálica, asséptica e rolante do metro, que de imediato descolou-me da cidade e fez-me sentir que até podia estar em Hong Kong, porque aquela superfície que pisava não tinha nada.
não consegui levantar o olhar até ter pisado uma estrutura metálica, asséptica e rolante do metro, que de imediato descolou-me da cidade e fez-me sentir que até podia estar em Hong Kong, porque aquela superfície que pisava não tinha nada.
quinta-feira, novembro 20, 2008
.pó
1. incapaz de eliminar o pó dos seus móveis, sentava-se sózinha no sofá a viajar. visitava aquilo que pensava ter visitado e quando desembarcava de novo no seu sofá, o seu olhar caía para o pó que tinha limpo. com persistência voltava a limpar e, com a mesma persistência, verificava se as janelas estavam bem fechadas, mas... mal acabava de limpar o pó voltava!
2. sempre achou que o excesso de bibelots na decoração de sua casa é que faziam com que o pó por centímetro quadrado fosse tão grande. via a pobre coitada da mulher a limpar vezes consecutivas a casa, no entanto isso irritava-o, pois quando queria ser engolido pelo sofá depois de um dia de trabalho, ouvia e sentia o pano a passar pelas curvas dos móveis e pelas curvas dos bibelots de forma sistemática e obesa. pedia ajuda a Deus para que a sua boca não fosse grande e ao mesmo tempo desejava que aquele pó deixasse de cair ou então que os bibelots caíssem.
3. os bibelots caíram. o pó ficou.
2. sempre achou que o excesso de bibelots na decoração de sua casa é que faziam com que o pó por centímetro quadrado fosse tão grande. via a pobre coitada da mulher a limpar vezes consecutivas a casa, no entanto isso irritava-o, pois quando queria ser engolido pelo sofá depois de um dia de trabalho, ouvia e sentia o pano a passar pelas curvas dos móveis e pelas curvas dos bibelots de forma sistemática e obesa. pedia ajuda a Deus para que a sua boca não fosse grande e ao mesmo tempo desejava que aquele pó deixasse de cair ou então que os bibelots caíssem.
3. os bibelots caíram. o pó ficou.
quarta-feira, novembro 19, 2008
.fisiologia/filosofia da mente
Dostoiévski afirmou que quanto mais perspicaz e afiada for a nossa consciência, mais doentio e infeliz será o indivíduo que a possui.
E. Cioran (filósofo franco-húngaro) defendeu que a insónia é o resultado de uma consciência que explora, até ao limite, as suas dúvidas metafísicas.
É Hipertrofia da Consciência ou falta de seratonina?
É depois de dormir que exploro e absorvo o universo que me rodeia, é ao sonhar que o organizo, para que no dia seguinte possa voltar a absorver eficazmente todas as partículas que tento rodear. Todos os dias tento explorar toda a minha consciência, afiando-a, sendo isso parte do meu divertimento e parte do meu contentamento. À noite, durmo saciada todos os minutos que tenho e quando o despertador toca, prolongo a minha estadia entre os 2 mundos...
Repugno a ideia de que quem é insaciado e gosta de explorar as suas dúvidas metafísicas tem que ser obrigatoriamente um indivíduo infeliz e sem horas de sono. Esse cliché perigoso, atrai, inclusivé, pessoas que apenas são doentes e infelizes a um estatuto que deveras não têm. Se se cresce a exercitar o cérebro, é normal que esse exercício o conduza para os lugares a que foi treinado a ir, desafiando-o constantemente, sendo isso independente do estado emocional. Acho que todos nós conhecemos isso: estímulo.
E. Cioran (filósofo franco-húngaro) defendeu que a insónia é o resultado de uma consciência que explora, até ao limite, as suas dúvidas metafísicas.
É Hipertrofia da Consciência ou falta de seratonina?
É depois de dormir que exploro e absorvo o universo que me rodeia, é ao sonhar que o organizo, para que no dia seguinte possa voltar a absorver eficazmente todas as partículas que tento rodear. Todos os dias tento explorar toda a minha consciência, afiando-a, sendo isso parte do meu divertimento e parte do meu contentamento. À noite, durmo saciada todos os minutos que tenho e quando o despertador toca, prolongo a minha estadia entre os 2 mundos...
Repugno a ideia de que quem é insaciado e gosta de explorar as suas dúvidas metafísicas tem que ser obrigatoriamente um indivíduo infeliz e sem horas de sono. Esse cliché perigoso, atrai, inclusivé, pessoas que apenas são doentes e infelizes a um estatuto que deveras não têm. Se se cresce a exercitar o cérebro, é normal que esse exercício o conduza para os lugares a que foi treinado a ir, desafiando-o constantemente, sendo isso independente do estado emocional. Acho que todos nós conhecemos isso: estímulo.
terça-feira, novembro 18, 2008
.criativismo
Apesar da obscuridade económico-financeira que se reflecte num largo espelho social, as grandes escolas capitalistas, imperialistas e outras palavras importantes acabadas em "istas", querem esconder o reflexo ou, prefiro eu pensar, reverter a situação (o que de facto seria muito bom que acontecesse...).
Uma das soluções está no "alimentar" do bichinho criador que existe potencialmente dentro de cada um de nós, promovendo a multi-culturalidade, a integração de todos os colaboradores na geração de novas ideias e um esbatimento da hierarquia dentro das organizações.
Com toda esta horizontalidade e Sol brilhante dentro das organizações, a geração de ideias inovadoras por segundo é de facto fluida e múltipla o que, do ponto de vista do consumidor, pode criar novas ansiedades........
Ora vejamos o exemplo dos detergentes para a roupa... Actualmente, se eu quero comprar apenas UM detergente para a roupa deparo-me com o seguinte cenário: tenho detergente para roupa de côr, para roupa branca e para roupa preta. Decido-me por uma destas categorias e agora tenho que escolher qual dos aromas irei levar, pensando ao mesmo tempo que ao levar o detergente para roupa de côr, vou ficar com a roupa branca fluorescente e a roupa preta a tender para o verde azeitona. Com este complexo de culpa a martelar numa zona qualquer do cérebro, tenho agora que decidir se quero alfazema, alfazema silvestre, alfazema campestre, alfazema da cidade, alfazema do mar, alfazema da colina.... e ao percorrer todos estes aromas, forço o meu nariz a denunciar-me as diferenças e a ditar-me qual gosto mais, apesar de não notar diferença e do meu estado de oxigenação cerebral já se encontrar fortemente debilitada. No entanto, não me deixo vencer e escolho o alfazema do mar, que é para ver se ao menos o cheirinho poderá fazer-me retomar às minhas memórias de Verão...! Com o repique do sentimento de culpa para com a minha roupa branca e roupa preta, lá levo o detergente para roupa de côr (para também lavar a roupa branca e a roupa preta) com uma intoxicação e falta de oxigénio no cérebro. Juntando-se a estas variáveis, a ansiedade desta compra faz-me desejar não ter que voltar a esta decisão até um futuro bem distante.......
Porque perdi eu tempo com estes parágrafos...? Ora bem... se a criatividade nas organizações for alimentada, para que mais produtos inovadores estejam disponíveis, eu prevejo uma catástrofe pessoal em relação à tomada de decisão de compra de detergentes para a roupa, porque se inventarem mais categorias de produto, mais aromas e formas (pó, líquido) e lembrarem-se de desenhar novas embalagens, eu creio que há duas fortes possibilidades de acontecimentos: uma é eu ir à bancarrota por ter que levar toooodos os detergentes para a roupa que existem que é para não ter que lidar com esta ansiedade ou, então, voltar ao tempo do sabão macaco e lavar a roupa à mão, que por ser um pouco exigente, me poderá levar a não querer lavar roupa e a usar roupas descartáveis de hospital, o que, certamente, não iria favorecer a minha condição neste mundo, mas......
já não tinha que voltar a passar por aquilo.... ufff...!!!!!!!
Uma das soluções está no "alimentar" do bichinho criador que existe potencialmente dentro de cada um de nós, promovendo a multi-culturalidade, a integração de todos os colaboradores na geração de novas ideias e um esbatimento da hierarquia dentro das organizações.
Com toda esta horizontalidade e Sol brilhante dentro das organizações, a geração de ideias inovadoras por segundo é de facto fluida e múltipla o que, do ponto de vista do consumidor, pode criar novas ansiedades........
Ora vejamos o exemplo dos detergentes para a roupa... Actualmente, se eu quero comprar apenas UM detergente para a roupa deparo-me com o seguinte cenário: tenho detergente para roupa de côr, para roupa branca e para roupa preta. Decido-me por uma destas categorias e agora tenho que escolher qual dos aromas irei levar, pensando ao mesmo tempo que ao levar o detergente para roupa de côr, vou ficar com a roupa branca fluorescente e a roupa preta a tender para o verde azeitona. Com este complexo de culpa a martelar numa zona qualquer do cérebro, tenho agora que decidir se quero alfazema, alfazema silvestre, alfazema campestre, alfazema da cidade, alfazema do mar, alfazema da colina.... e ao percorrer todos estes aromas, forço o meu nariz a denunciar-me as diferenças e a ditar-me qual gosto mais, apesar de não notar diferença e do meu estado de oxigenação cerebral já se encontrar fortemente debilitada. No entanto, não me deixo vencer e escolho o alfazema do mar, que é para ver se ao menos o cheirinho poderá fazer-me retomar às minhas memórias de Verão...! Com o repique do sentimento de culpa para com a minha roupa branca e roupa preta, lá levo o detergente para roupa de côr (para também lavar a roupa branca e a roupa preta) com uma intoxicação e falta de oxigénio no cérebro. Juntando-se a estas variáveis, a ansiedade desta compra faz-me desejar não ter que voltar a esta decisão até um futuro bem distante.......
Porque perdi eu tempo com estes parágrafos...? Ora bem... se a criatividade nas organizações for alimentada, para que mais produtos inovadores estejam disponíveis, eu prevejo uma catástrofe pessoal em relação à tomada de decisão de compra de detergentes para a roupa, porque se inventarem mais categorias de produto, mais aromas e formas (pó, líquido) e lembrarem-se de desenhar novas embalagens, eu creio que há duas fortes possibilidades de acontecimentos: uma é eu ir à bancarrota por ter que levar toooodos os detergentes para a roupa que existem que é para não ter que lidar com esta ansiedade ou, então, voltar ao tempo do sabão macaco e lavar a roupa à mão, que por ser um pouco exigente, me poderá levar a não querer lavar roupa e a usar roupas descartáveis de hospital, o que, certamente, não iria favorecer a minha condição neste mundo, mas......
já não tinha que voltar a passar por aquilo.... ufff...!!!!!!!
sábado, novembro 08, 2008
.dúvida xpto
um braço atrapalhado noutro braço e o passado a fazer sombra no presente, queimando a vontade do à vontade.
entrelaçado o palpitar e a fuga, sempre racional, sempre emotiva, e, sempre, a música antiga de fundo, a despejar os medos, na novidade.
uma pausa com silêncio a menos no devir. e a tempo, a curiosidade a fazer ignição.
a curiosidade mata?
entrelaçado o palpitar e a fuga, sempre racional, sempre emotiva, e, sempre, a música antiga de fundo, a despejar os medos, na novidade.
uma pausa com silêncio a menos no devir. e a tempo, a curiosidade a fazer ignição.
a curiosidade mata?
segunda-feira, novembro 03, 2008
.arquivo de sentimentos
quando me questionam porque não escrevo com mais frequência, fico sempre um pouco constrangida... Eu própria acho que devia escrever mais...
...mas!
tenho em mim um sistema de memórias que se vão arquivando. a essas memórias tenho associados sentimentos vários: nebulosa sentimental! Para poder exprimir aquilo que tenho em potencial, preciso de tempo para catalogar a minha panóplia emocional, para depois me entregar a nem sei bem o quê, que me faz querer vir até aqui despejar nem sei bem porquê...
não é a melancolia, a saudade, o vírus do fado, a má sorte, o mau olhado, a fuga, o medo, o silêncio, a dor, o eterno "ai"... isso é que não é...!!!
talvez seja hipo-criatividade na escrita.
ou... hiper-criatividade na ausência de...!
"Toda a Paisagem não está em parte nenhuma." Bernardo Soares in Livro do Desassossego
...mas!
tenho em mim um sistema de memórias que se vão arquivando. a essas memórias tenho associados sentimentos vários: nebulosa sentimental! Para poder exprimir aquilo que tenho em potencial, preciso de tempo para catalogar a minha panóplia emocional, para depois me entregar a nem sei bem o quê, que me faz querer vir até aqui despejar nem sei bem porquê...
não é a melancolia, a saudade, o vírus do fado, a má sorte, o mau olhado, a fuga, o medo, o silêncio, a dor, o eterno "ai"... isso é que não é...!!!
talvez seja hipo-criatividade na escrita.
ou... hiper-criatividade na ausência de...!
"Toda a Paisagem não está em parte nenhuma." Bernardo Soares in Livro do Desassossego
quarta-feira, outubro 15, 2008
.ficções urbanas
no canto a fumar estava aquele fulano... aquele que segue a corrente abstractoactivista. diz que em breve será criado um botão mental que fará com que todas as pessoas sejam capazes de ver o mundo de forma abstracta e que isso irá tornar as pessoas mais activistas a nível economico-sócio-cultural-bio-energético.
a meio da sala, creio que vi o óculinhos, aquele que está sempre com a cabeça caída e com o olhar no chão. esse, acho que é daquele movimento... o rústico-liberal-tribal. acredita que as comunidades devem ser recolectoras e que as metrópoles são a metáfora do subdesenvolvimento e da negação das origens. ele diz que ouve o coração da terra a bater e que pode reinventar o fogo, a roda e criar um loft numa gruta. enquanto isso, vive num prédio e anda sempre à rasca de dinheiro para gasolina.
à varanda, estava aquele casal de engenheiros que olhava com desdém para o abstractoactivista e para o do movimento rústico-liberal-tribal. afinal de contas eles estão formatados para gerar e conceber cenas e coisas que representam o apogeu do desenvolvimento científico-intelectual da sociedade actual, vivendo na realidade e oferecendo soluções nesse contexto. estão a planear ir ao cambodja.
no sofá, estava a vegetariana, com o olhar fixo nos rissóis de carne que estavam pousados na mesa em frente. o seu olhar de desejo afastava-se das suas palavras de ordem. disse mais de 20x que não é justo comer carne, porque os animais, estão à partida, numa posição inferior ao Ser Humano e que a palidez da sua cara era genética, já a Bisavó Carminho era assim.
a meio da sala, creio que vi o óculinhos, aquele que está sempre com a cabeça caída e com o olhar no chão. esse, acho que é daquele movimento... o rústico-liberal-tribal. acredita que as comunidades devem ser recolectoras e que as metrópoles são a metáfora do subdesenvolvimento e da negação das origens. ele diz que ouve o coração da terra a bater e que pode reinventar o fogo, a roda e criar um loft numa gruta. enquanto isso, vive num prédio e anda sempre à rasca de dinheiro para gasolina.
à varanda, estava aquele casal de engenheiros que olhava com desdém para o abstractoactivista e para o do movimento rústico-liberal-tribal. afinal de contas eles estão formatados para gerar e conceber cenas e coisas que representam o apogeu do desenvolvimento científico-intelectual da sociedade actual, vivendo na realidade e oferecendo soluções nesse contexto. estão a planear ir ao cambodja.
no sofá, estava a vegetariana, com o olhar fixo nos rissóis de carne que estavam pousados na mesa em frente. o seu olhar de desejo afastava-se das suas palavras de ordem. disse mais de 20x que não é justo comer carne, porque os animais, estão à partida, numa posição inferior ao Ser Humano e que a palidez da sua cara era genética, já a Bisavó Carminho era assim.
quarta-feira, setembro 03, 2008
.anacronia
uma velha estremunhada bate com a bengala trôpega no chão paralelo, enquanto desfoca e foca o olhar para a veloz paisagem que corre à sua volta. Olha para os ponteiros do seu relógio e não compreende como é que o tempo que a envolve passa mais depressa do que o seu tempo - Talvez seja por causa dos computadores! - Pensa ela.
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